domingo, 18 de janeiro de 2009

Curar a pessoa

Em muitos casos, será necessário passar pelas situações para nos lembrarmos e tentarmos resolvê-las. Foi o caso de Kenneth B. Schwartz, um advogado a quem diagnosticaram um cancro do pulmão. Ao vivenciar momentos emocionais com uma enfermeira que “tornaram o insuportável suportável”, decidiu agir em função dos outros pacientes e fundou um centro de apoio e promoção dos cuidados médicos compassivos cujo website poderão consultar em http://www.theschwartzcenter.org/

Superando as expectativas, o primeiro Encontro do Centro Schwartz contou com a presença de inúmeros profissionais da saúde, o que revelou a grande necessidade de discussão sobre preocupações e medos do pessoal hospitalar.
Presentemente, o paciente deixa de ser visto como um número, onde, numa perspectiva economicista, o médico ou enfermeiro demoram o mínimo tempo possível na sua tarefa, não “gastando” tempo com a dimensão humana.



A empatia e a construção de uma relação emocional melhoram a qualidade dos cuidados prestados e, no caso de doenças terminais, não curam, mas fazem “uma enorme diferença” (Kenneth Schwartz).

1 comentário:

Anónimo disse...

A impessoalidade com que um profissional de saúde frequentemente se dirige a um paciente consegue ser de facto perturbador. Segundo Goleman “mesmo as pessoas que estão a morrer, mensagens de insensibilidade da parte dos médicos podem, por vezes gerar mais sofrimento emocional do que a própria doença”.
Para reflectir:

“ Entrais no meu quarto com a medicação,
para me medir a tensão. Não vos ides embora, esperai.
Tudo o que eu desejaria saber é se alguém
estará aqui comigo para me dar a mão
quando tiver necessidade. Tenho medo!
A morte pode converter-se numa rotina para vós,
mas é nova para mim.
Talvez não me considerem um caso único,
mas para mim é a primeira vez que estou
a morrer, a única vez.”
Redrado (1983)
E se este desabafo que consegue abalar os menos sensíveis ao contágio emocional revela a quase automatização com que se imbuem frequentemente as práticas na área da saúde. Não deixam também de ser verdade os crescentes desafios que lhe são colocados, designadamente pelo progressivo envelhecimento da população e consequente aumento dos cuidados paliativos. Refira-se ainda que, paralelamente, os sistemas de saúde confrontam-se com reiteradas restrições financeiras e insuficientes recursos humanos, o que frequentemente condiciona a existência de uma sintonia entre médico e paciente, facilitando e promovendo o predomínio das relações Eu-Isso.
É por isso fundamental abandonar a visão extremamente tecnicista e atribuir uma maior relevância à competência pessoal dos profissionais de saúde que passam especificamente pela competência interpessoal, pela inteligência social e emocional. Estando mais que corroborado o facto de que a criação de uma relação empática entre doente e profissional de saúde é fundamental para uma melhor sensação de saúde, um quase enunciado placebo impõe-se à aplicação da teoria, a intervenção técnica arraigada pela acuidade empática que permite ao profissional de saúde corresponder emocionalmente ao seu paciente, acalmando-o, serenando-o e curando-o. Um doente é, pois, uma pessoa claramente debilitada, física e psicologicamente, que necessita não só de cuidados medicinais, mas sobretudo de cuidados emocionais.

Sleepless e-Learners