domingo, 18 de janeiro de 2009

Curar os curadores

Na medicina, como em qualquer profissão que implica uma relação/interacção com os outros, dar e receber emoções é extremamente importante, pois minimiza a tensão psicológica do trabalho. Os trabalhadores dos cuidados de saúde, especialmente a classe dos enfermeiros que lida com maior frequência com a dor e o desespero dos pacientes, são tão vulneráveis como qualquer outro ser humano. Se transmitirem calma, afecto, ternura, provavelmente receberão dos pacientes e respectivas famílias a mesma conectividade emocional.


O vídeo acima ilustra um fluxograma emocional no seio do qual existe solidariedade entre colegas de trabalho, condição indispensável em profissões que envolvem prestar ajuda humanitária. Partilhar experiências e sentirmo-nos compreendidos é uma boa forma de repor os nossos recursos emocionais. Quando tal não sucede, como observa Goleman, “os prestadores de cuidados ficam com os depósitos vazios. Sempre que os prestadores de cuidados de saúde sentem que recebem o apoio emocional de que necessitam, sentem-se mais capazes de oferecer o mesmo tipo de apoio aos seus pacientes”. “Quando os membros das profissões ligadas à assistência não sentem ter uma base estável de apoio naqueles com quem trabalham ou para quem trabalham, tornam-se mais susceptíveis à «fadiga da compaixão»”. A «fadiga da compaixão» deve ser solucionada mediante o apoio emocional e não mediante a recusa em ouvir o outro:



Para Reflectir...

Levantamentos sugerem que 80% a 90% dos médicos praticantes apresentam sinais de esgotamento. Os sintomas incluem a exaustão emocional relacionada com o trabalho, intensos sentimentos de insatisfação e uma atitude despersonalizada Eu-Isso. Fenómeno idêntico se manifesta em classes profissionais como a dos professores e a dos polícias, que envolvem uma grande interacção social e que tem estado na origem do tão comentado “síndroma de abandono profissional”. Num artigo presente no portal aprendiz, Vivien Lobato advoga que, segundo dados apresentados pela psicóloga Nádia Leite, só no Centro-Oeste do Brasil, por exemplo, 15% dos professores apresentam esgotamento e falta de motivação.
Tipicamente, a componente emocional ligada a estas profissões não é vista como “verdadeiro trabalho”, havendo uma desvalorização da mesma por parte dos respectivos sectores administrativos. É então necessário que além das competências técnicas ou científicas que estas profissões envolvem (e que devem ser um dado adquirido) se desenvolvam mecanismos de apoio emocional aos profissionais destas áreas.
Enquanto isso, há e haverá, na medicina, líderes promovidos “com base na sua competência médica e não na competência pessoal”, o que distingue os líderes medíocres dos soberbos.









1 comentário:

Anónimo disse...

Segundo a Organização Internacional de Trabalho, as profissões de médico e professor estão entre as mais desgastantes. De facto é crescente o número de professores que são afastados das suas profissões graças a problemas psicológicos. A mudança cultural que é visível na sala de aula e que se traduz num crescente desrespeito pela figura do professor, associado a uma elevada sobrecarga de trabalho, tem conduzido a frequentes situações de stress, agressividade, descontrolo emocional e depressão da parte dos docentes. As forças de segurança são também um alvo preferencial do desgaste emotivo das suas profissões. O Diário de Notícias documentou que em Novembro de 2008 já se tinham suicidado 14 elementos das forças de segurança em Portugal no artigo “Por que razão se suicidam os polícias”. Profissionais cujas funções pressupõem um trabalho muito próximo com a sociedade, (utentes, pacientes, comunidades, alunos…) devem-se apoiar em relações interpessoais entre colegas de trabalho consolidadas que constituam bases estáveis, prevenindo desta forma a “fadiga da compaixão” que pode ocorrer dado serem profissões emocionalmente desgastantes. O curador deve, antes de mais, prevenir-se de um desgaste emocional de forma a garantir a qualidade dos serviços prestado às pessoas que dele necessitem.

Sleepless e-Learners