Este poderoso efeito na fisiologia do outro pode ser do tipo alimentador – quando os parceiros ajudam o outro a lidar de forma positiva com situações ou pensamentos causadores de mal-estar – o que de um ponto de vista biológico significa que foi interrompida (por exemplo através de um repensar conjunto dessas situações ou pensamentos) a chamada "cascata neuroendócrina negativa".
Por outro lado, quando por motivo de separação ou morte de um ente querido com quem estabelecemos uma relação deste tipo somos privados desta conexão biológica, ficamos mais expostos aos efeitos perniciosos destes estímulos negativos do meio. O caso dos idosos que se deparam com a morte do seu parceiro (ficam assim em situação de viuvez) é paradigmático: muitos acabam por morrer em pouco tempo, já que todo o sistema biológico é extraordinariamente afectado pela ausência do outro, e o risco de doença cresce por via de um enfraquecimento do sistema imunológico.
As mulheres, curiosamente, defendem-se melhor nestas circunstâncias, e o seu cérebro segrega mais ocitocina do que o dos homens. Conseguem-no através de estratégias de contacto com outros - crianças, por exemplo - que passam a constituir-se como fontes de contágio positivo e de auto-regulação. Trata-se aqui de recriar a rede social mais próxima, através de desconhecidos ou amigos próximos.
Pelo contrário, no caso dos homens o efeito da ocitocina é suprimido pela presença das hormonas sexuais (enquanto as hormonas sexuais femininas reforçam o efeito da ocitocina). Esta diferença dos homens face às mulheres gera reacções diferentes face a perigos ou situações geradoras de ansiedade: o homem prefere estar sozinho, enquanto a mulher prefere – em regra – a presença de terceiros.
Em suma, as relações positivas entre pessoas têm um efeito emocional e outro biológico, com efeito directo na saúde de cada um. Parceiros positivos, próximos, carinhosos, actuantes... funcionam como aliados ao nível da resistência às agressões do meio. Por isso é tão importante que pessoas portadoras de doenças graves ou crónicas vejam reforçadas as suas ligações e rede social de apoio já que "rir é o melhor remédio".
Para reflectir...
Goleman, nos exemplos que explora, privilegia as relações mais próximas (entre familiares ou amigos). Fugindo a isso, julgamos possível falar da relação professor-aluno, sobretudo quando quer um quer o outro devem encontrar os fins do seu desenvolvimento no sucesso dessa relação.
Actualmente algumas vozes sugerem que para a relação pedagógica dar fruto as partes têm de se ver como pessoas, a comunicação (e não a informação) deve ganhar terreno e fazer-se com profundidade e autenticidade e que deve estar centrada na relação e não numa das partes. Alguns podem ver nestas palavras a perda da liderança do professor. Goleman tem a resposta: um líder deve exibir simpatia e sintonia e cultivar um interesse genuíno em despertar sentimentos positivos nos outros, com todo o fundamento biológico que o autor explora ao longo do livro. Este é um desafio para o professor, para quem a perda da liderança resulta no stress e noutras consequências para a sua saúde. O contágio positivo do professor no aluno faz-se pelo exercício da liderança, por saber o que motiva os alunos, quais as suas necessidades, saber como se sentem, estar em sintonia com o humor deles, envolver o aluno na discussão e apelar para o interesse dele, orientar o aluno com compaixão e investir tempo e energia nesse trabalho, cultivar o orgulho da equipa, extrair o melhor de cada aluno, pedir opinião e dar apoio.
2 comentários:
Contágio positivo
É por demais evidente que faz sentido termos uma atitude positiva(em tudo?).
A Psicologia positiva é um ramo recente da psicologia que grosso modo estuda as forças que permitem aos indivíduos e comunidades prosperar, aborda o funcionamento positivo da personalidade, o bem-estar subjectivo e o ensino da resiliência.
Contudo estamos a falar de uma área muito recente de estudo pois a Primeira Conferência Internacional sobre a Psicologia Positiva teve lugar em 2002, mas também é evidente que as pessoas têm vindo a discutir a questão da felicidade humana durante milhares de anos.
Alguns pensam que ser positivo é "fazer de conta que tudo vai bem", que "os problemas que vemos não têm importância",
Sabe-se que só uma em cada dez pessoas acorda entusiasmada?
Não vou falar sobre a resiliência mas retiro os termos esperança e optimismo: confiança na superação das adversidades e Confrontar o que é possível: aceitar o que não pode ser mudado
E como as emoções e sentimentos têm um papel crucial na forma como as pessoas reagem às circunstâncias do meio, reprograme-se Lute.
E confirme o que faz “a vida valer a pena ser vivida”…(é estar vivo?)
Actividade prática:
Pesquise no seu brownser em imagens por
nuncadesista.jpg
J. Sendão
E-Weber´s
Porque as pessoas não são meras ilhas emocionais isoladas, é essencial a promoção de afectos nas relações pessoais e laborais como coadjuvantes na manutenção da saúde e bem-estar.
Com efeito, é particularmente interessante a constatação científica de que pessoas emocionalmente interdependentes influenciem significativamente a fisiologia uma da outra, pelo que faz todo o sentido a exortação que Cohen faz às pessoas doentes em aumentar as interacções harmoniosas e despromover as consideradas tóxicas. Assim sendo, e lamentando a frieza e o mecanicismo da ideia, a conectividade emocional é concebida como um ingrediente a somar aos cuidados de saúde. Desta forma à prática de exercício físico e de ingestão de alimentos saudáveis, deveremos ainda acrescentar o consumo de aliados biológicos de qualidade. É, de facto, importante ressalvar a importância da consolidação de bases estáveis que se podem consubstanciar no parceiro de uma vida, no (s) amigo(s) mais próximo (s), de forma a que assegurem um porto seguro.
E porque somos efectivamente condutores de emoções, este tráfego não se confina ao seio familiar, estendendo-se claramente ao mundo do trabalho.
Reportando-nos ao exemplo que a equipa referiu relativamente à relação professor –aluno, sugerimos a leitura de um ensaio extremamente interessante ”Relação dinâmica transferêncial entre professor- aluno no ensino” que enfatiza a importância da relação professor- aluno como um elemento fundamental e quase que determinante na propensão para a aprendizagem.
Sleepless e-Learners
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