segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Campo de batalha conjugal

As relações a dois podem ser elementos de grande felicidade e de estruturação das vidas das pessoas envolvidas, ou pelo contrário fontes de stress e de desestruturação de vidas e de estados de saúde...

Goleman aborda a questão conjugal apresentando este "campo de batalha" como um dos que mais pode contribuir para a falência individual das pessoas que compõem as relações a dois. Sobretudo... as mulheres.


As discussões a dois são normais, e há quem as considere momentos de importante crescimento das relações e dos casais. Todavia, como em tudo na vida, há limites que uma vez ultrapassados definem situações nada saudáveis, que interferem por exemplo com o sistema imunológico de quem leva a vida a discutir. Isto acontece porque as relações pessoais se relacionam com as questões imunológicas através do sistema endócrino. Esta realidade assume contornos mais evidentes no caso dos casais com idade mais avançada, já que o seu sistema imunológico encontra-se - naturalmente - menos resistente.

As mulheres são, nas relações heterossexuais, o elo do casal que mais tende a sofrer - no plano biológico - com o clima de batalha conjugal. Goleman explica este facto com uma suposta maior valoração do elemento emocional das relações. Em todo o caso há também quem defenda que as mulheres têm um sistema imunitário, em regra, mais frágil do que o dos homens.

Goleman refere também que as mulheres tendem a gastar mais tempo a "remoer" no conflito e nas suas causas.

O stress no casamento influi de forma directa e mensurável na saúde dos elementos do casal (por exemplo no que se refere aos níveis de colesterol) sendo certo que relações mais felizes beneficiam a saúde daqueles que nelas se encontram, sendo o inverso igualmente verdadeiro: relações turbulentas tendem a prejudicar a saúde dos que nelas se inserem.


Para reflectir...

Num estudo do cardiologista norte-americano, James Coyne (2001), os pacientes que viviam o stress no casamento tinham uma probabilidade 1,8 vezes maior de morrer dentro de quatro anos do que os que tinham uma relação conjugal menos desgastante, o que torna surpreendente como é que as tensões nas relações pessoais conduzem a problemas fisiológicos. Hoje, alguns investigadores consideram existir associação entre a angústia matrimonial e os sintomas da doença de Parkinson e Alzheimer.

Sobre a causa da discussão entre casais, é pertinente a expressão de um investigador francês, Philippe Caillé (1991), que resume na equação “um e um são três” – no casamento coexistem duas individualidades e uma conjugalidade. Como conjugar dois sujeitos com desejos, visões do mundo, histórias e projectos de vida diferentes com um desejo e visão do mundo, uma história e projecto de vida conjugal? “Como ser dois sendo um? Como ser um sendo dois?” Julgamos que a riqueza da união está na diversidade e sobretudo na aceitação dessas individualidades. A inteligência social revela-se importante na gestão das duas individualidades com a conjugalidade.

3 comentários:

Anónimo disse...

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Antes de mais nada, deve-se saber o que significa conflito : trata-se de um atrito que ocorre quando surgem nos relacionamentos necessidades, desejos, objetivos e opiniões opostos entre si. Como o casamento envolve duas pessoas diferentes, o conflito e a raiva que nele se fazem pesentes são normais e nada têm de excepcional. O problema surge quando isso torna-se um evento diário. Ao longo da minha vida, observei algunscasai, incluindo meus pais, que são divorciados e verifiquei que os conflitos podem ser de diversas ordens:
- conflitos afetivos;
- qual é o problema? (também conhecido como conflito sexual);
- questões íntimas;
- discussões por causa do lazer;
- brigas por causa do ciúme;
- discussões pr causa de tarefas domésticas;
- discussões por ausa do não cumprimento de tarefas;
- brigas por causa da falta de iniciativa.
- discussões sobre a educação dos filhos;
discussões por causa do sogro/sogra;
- briga por causa dos amigos;
- conflitos de valores;
- discussão por causa do egoísmo ou falta de cooperação;
- discussões sobre a mania de controlar;
- discussões por casa de dinheiro;
- discussões de luta de poder;
- discssões por causa do "fechamento do outro";
- discussões porque "você nunca me ouve".
Poderia relacionr um n número de conflitos e brigas, mas é claro que não é necessário. Acho que casais que conseguem ocasionalmente resolver esses conlitos e reagir bem a eles, são felizes, os que não conseguem reagir e fazem do dia a dia um verdadeiro conlito, são infelizes.
Não há receita para casamentos felizes, e sim a dura convivência dária, o aprendizado com o outro, a troca de exeriências e a comunhão de vivências.
Michele

Anónimo disse...

Segundo Goleman a montanha russa emocional é intensamente vivida pelas mulheres que assim acabam por não ser muito saudáveis na medida em que o esforço mental causa desgaste neuronal e que com este vem o aparecimento de doenças como o Alzeimer.
Tristeza, cansaço psicológico e insatisfação ou sentimentos que evoluem quando a falta de entendimento entre as partes numa relação, estagnam o ciclo harmonioso da paixão e do amor. O corte na relação é na maioria das vezes a solução na tentativa de podar para poder renascer de uma experiência menos boa.
Contudo, esta sequência encalha quando existem filhos, cujas consequências variam de acordo com a faixa etária em que se encontram. Neles fica, por momentos, o olhar vazio daquilo que era suposto fazer sentido. Assim, possivelmente, no remoer do que assistem e vivem, serão as filhas que irão dar maior relevo na sua montanha de sentimentos.

Sleepless e-Learners

Vitor Reis disse...

As discussões podem surgir por diversos motivos numa relação conjugal e opõem opiniões ou pontos de vista diferentes sobre os mais diversos contextos.
Numa discussão registam-se alterações no sistema endócrino que se reflectem numa depressão do sistema imunológico. Se as discussões forem repetidas as alterações podem resultar em danos cumulativos. Em casais mais velhos as consequências sobre a saúde são ainda maiores, atendendo ao enfraquecimento dos seus sistemas biológicos.
As mulheres padecem de consequências mais nefastas para a saúde resultantes de um casamento instável comparativamente com os homens. As mulheres atribuem um grande valor emocional às suas relações, são naturalmente mais sensíveis ao bem-estar dos que a rodeiam e às variações que afectam os seus relacionamentos. A tendência para repisar os acontecimentos negativos, revivendo as perturbações que tal acontecimento acarreta, torna a mulher mais vulnerável ao stress e às suas sequelas.
O saldo emocional de uma relação conjugal dita a saúde e o bem-estar de cada um dos seus elementos e em particular da mulher.

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