segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Síndrome de Asperger

Observem o seguinte cartoon:



Do ponto de vista social, como interpretam o comportamento ou reacção ilustrada no cartoon?

No nosso entender, o cartoon retrata a falta de sensibilidade típica de pessoas que manifestam uma fraca capacidade empática e uma alta capacidade de sistematização – o padrão neural subjacente ao síndroma de Asperger. Goleman refere como exemplo desta patologia Borcherds, o génio vencedor da Fields Medal, afirmando que “Para ele, a comunicação é puramente funcional: descobrir o que se pretende de determinada pessoa e esquecer a conversa de circunstância, quanto mais falar do que se sente ou querer saber como vai o outro.”

Tire 9 minutos do seu tempo para visualizar o seguinte documentário no qual se descrevem as implicações sociais do síndroma de Aspergern, com relatos na primeira pessoa de quem experienciou de facto essas limitações:



“Se nos falta esta sensibilidade, ficamos em desvantagem em se tratando de amar, acarinhar, cooperar (…) e sentimo-nos pouco à vontade nas situações sociais. Sem visão mental, os nossos relacionamentos seriam ocos; relacionar-nos-íamos com as outras pessoas como se fossem objectos, sem sentimentos ou pensamentos próprios – precisamente o que acontece aos que sofrem da síndroma de Asperger ou de autismo. Seríamos “mentalmente cegos”.

3 comentários:

magnuspetrus disse...

Muito interessante esta definição de dislexia social- já que a conversa não é social. É destacada a grande dificuldade em fazer amizades – não se consegue prever, ler o que as pessoas pensam. Meste sentido interessa destacar uma das ferramentas de tratamento do autismo que consiste no recurso aos “Face Cards” – cinco cartas que reflectem diferentes estados emocionais (zangado, triste…) que visa o treino de leitura das expressões emocionais.

Extremamente interessante é a explicação do facto das crianças autistas não manterem o contacto ocular devido à hiperactividade da amígdala que lhes provoca um intenso medo. Este contacto ocular é essencial na promoção da habilidade social – na aprendizagem da interacção social.

Queríamos ainda acrescentar a fabulosa interpretação da teoria das ideias de Platão, num pormenor de bom humor que nos animou neste dia chuvoso...

Vitor Reis disse...

As pessoas portadoras da síndroma de Asperger não revelam aptidões sociais para conviver de modo harmonioso com os outros, sendo necessário conferir-lhe competências para interagir em contexto social.
No autismo, a incompreensão de simples subtilezas de comportamento social, como o sarcasmo, deriva da deficiência de visão mental.
A inactividade numa região cerebral conhecida por «circunvolução fusiforme da área facial», que se activa na presença de um rosto ou de algo com o qual o indivíduo esteja familiarizado ou que o fascine, explica as dificuldades no relacionamento interpessoal dos autistas. No caso dos indivíduos autistas esta área cerebral permanece inactiva na presença de um rosto, mas é estimulada por tudo o que o fascina em redor, como por exemplo um objecto ou um padrão de cores. Esta indiferença perante a informação que a área dos olhos fornece em termos emocionais revela-se na ausência ou fuga ao contacto ocular, que constitui uma competência crucial para o relacionamento com terceiros. A fuga ao olhar é explicada pela ansiedade gerada pela reacção da amígdala que expressa um medo intenso, levando o autista, desde a infância, a olhar para a boca em vez da face, deixando de aprender a sincronia face a face.
Baron-Cohen realizou um estudo que comparou indivíduos que sofrem de autismo e indivíduos normais e concluiu que os autistas falharam quase sempre na identificação dos sentimentos que os olhos expressavam, denotando diferenças que revelam as partes do cérebro que participam na actividade da interacção social.

e-webers

Anónimo disse...

Apesar de ter sido descrita por Hans Asperger em 1944 no artigo “Psicopatologia Autistica na Infância” , apenas em 1994 a Síndrome de Asperger foi incluída no DSM-IV com critérios para diagnóstico.

Algumas das características peculiares mais frequentemente apresentadas pelos portadores da Síndrome de Asperger são:

- Atraso na fala, mas com desenvolvimento fluente da linguagem verbal antes dos 5 anos e geralmente com:
o Dificuldades na linguagem,
o Linguagem pedante e rebuscada,
o Ecolalia ou repetição de palavras ou frases ouvidas de outros,
o Voz pouco emotiva e sem entonação.
- Interesses restritos: escolhem um assunto de interesse, que pode ser seu único interesse por muito tempo. Costumam apegar-se a mais às questões factuais do que ao significado. Casos comuns são interesse exacerbado por coleções (dinossauros, carros, etc.) e cálculos. A atenção ao assunto escolhido existe em detrimento a assuntos sociais ou cotidianos.
- Presença de habilidades incomuns como calculos de calendário, memorização de grandes seqüências como mapas de cidades, cálculos matemáticos complexos, ouvido musical absoluto etc.
- Interpretação literal, incapacidade para interpretar mentiras, metáforas, ironias, frases com duplo sentido, etc.
- Dificuldades no uso do olhar, expressões faciais, gestos e movimentos corporais como comunicação não verbal.
- Pensamento concreto.
- Dificuldade para entender e expressar emoções.
- Falta de auto-censura: costumam falar tudo o que pensam.
- Apego a rotinas e rituais, dificuldade de adaptação a mudanças e fixação em assuntos específicos
- Atraso no desenvolvimento motor e freqüentes dificuldades na coordenação motora tanto grossa como fina, inclusive na escrita..
- Hipersensibilidade sensorial: sensibilidade exacerbada a determinados ruídos, fascinação por objetos luminosos e com música, atração por determinadas texturas etc.;
- Comportamentos estranhos de autoestimulação;
- Dificuldades em generalizar o aprendizado;
- Dificuldades na organização e planejamento da execução de tarefas.

Algumas coisas são aprendidas na idade “própria”, outras cedo demais, enquanto outras só serão entendidas muito mais tarde ou somente quando ensinadas.

Alguns pesquisadores acreditam que Sindrome de Asperger seja a mesma coisa que autismo de alto funcionamento, isto é, com inteligência preservada. Outros acreditam que no autismo de alto funcionamento há atraso na aquisição da fala, e na Síndrome de Asperger, não.
Colocamos em anexo uma lista de critérios diagnósticos da Síndrome de Asperger elaborada pelo pesquisador sueco Christopher Gillberg.
Muitas pessoas acreditam que a importância da diferenciação entre Síndrome de Asperger e Autismo de Alto Funcionamento seja mais de cunho jurídico do que propriamente para escolhas relacionadas ao tratamento.
Por um lado, para algumas pessoas dizer, que alguém é portador de Síndrome de Asperger parece mais leve e menos grave do que ser portador de autismo, mesmo que de alto funcionamento – embora isto seja provavelmente uma ilusão. Por outro lado, associações de autismo em todo o mundo alegam que esta divisão em duas patologias diferentes enfraquece um movimento que necessita de tanto apoio como o dos que trabalham pelo autismo.
No Brasil, as escolas possuem um programa chamado inclusão - crianças portadoras de necessidades especiais estudam em escolas não especiais, junto a crianças da mesma faixa etária - tive em minha sala de aula um autista moderado, dito não severo, conseguia me comunicar com ele muito pouco, mas acabei por procurar uma associação chamada AMA - Associação Amigos do Autista, para aprender como lidar com algo que não conhecia bem.
Foi extremamente importante, uma vez que descobri diversos estudos, tratamentos e conheci outros portadores, além de aprender até a pegar na mão de um autista.
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