Nova - The Ghost In Your Genes 1/6 (in Youtube)
Vejam também as outras cinco partes: parte 2 parte 3 parte 4 parte 5 parte 6
Colocados perante a evidência da relação entre as interacções com o meio e o código genético, no desenvolvimento humano, a pergunta seguinte parece ser: como é que essa influência mútua acontece? O comportamento humano surge de uma relação dinâmica entre o desenvolvimento do cérebro e a experiência e vivências do ser. A forma como o cérebro se desenvolve influencia o nosso comportamento, mas também é verdade que o nosso comportamento influencia de forma determinante o crescimento cerebral, o reforço de ligações neurais e até a constituição de circuitos.
Apesar de não ser um músculo, o cérebro pode e deve ser trabalhado, já que a forma como é utilizado vai determinar a sua modelação, em especial até ao início da idade adulta.
A utilização mais recorrente de determinadas conexões reforça-as, enquanto que a não utilização de outras conexões as enfraquece e, a prazo, elimina. Ao cérebro parece pois aplicar-se o princípio de Lavoisier segundo o qual "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Leituras aconselhadas:
"The Buzz about Epigenetics: Genes, Behaviour and the Environment"
Contrariamente a um mito que fez escola e se tornou num dogma, hoje desmentido, não é verdade que o ser humano nasce com um conjunto de células cerebrais que uma vez mortas não serão mais substituídas. A investigação demonstra que o corpo possui a capacidade de regenerar células cerebrais, e esses mecanismos assegurados pela espinal medula bem como pelo próprio cérebro são hoje estudados de forma a facilitar
a cura de doenças degenerativas.
O desenvolvimento do cérebro é pois um processo permanente, embora com maior nível de actividade durante a infância e adolescência. Esse processo é naturalmente condicionado pelo genoma, mas a forma como este se expressa pode ser decisivamente condicionada pela vivência do ser com os outros, com o meio e consigo próprio.
Goleman refere investigações sobre a migração intra-ceberal de células fusiformes (os "conectores super-rápidos do cérebro social"), a qual está em larga medida dependente de influências do meio, como são as experiências afectivas do próprio.
Assim, e contrariamente ao sentimento de alívio que alguns pais sentiram numa fase inicial - quando todos os problemas de comportamento relativos aos respectivos filhos eram explicados em exclusivo pela herança genética - esta perspectiva epigenética vem
reforçar a responsabilidade dos educadores na modelação do cérebro da criança, e por consequência de tudo aquilo que se encontra sob a jurisdição daquele órgão.
Leituras aconselhadas:
"Epigenetics and Imprinted Genes"
Epigenetics- How Does it Work? (In Youtube)
As experiências emocionais e relacionais experimentadas pelos seres humanos estão ligadas de forma muito directa à modelação genética, ou seja, à forma como determinada possibilidade de desenvolvimento(consequência de uma expressão concreta e activada do genoma) acontece por oposição a outra possibilidade de desenvolvimento (não activada, apesar de latente no ser humano).
Esta influência decisiva das condicionantes do meio na expressão física e comportamental do código genético explicam em larga medida as diferenças de comportamento, por exemplo, existentes nos chamados "gémeos verdadeiros", ou univitelinos, que partilham o mesmo genoma.

4 comentários:
Ao iniciarmos esta abordagem sobre o paradigma da natureza versus educação, não poderíamos deixar de referir Piaget, pai do construtivismo, que acompanhou as mudanças nas capacidades cognitivas dos seus próprios filhos.
Importa pois, reflectir um pouco se são os nossos genes que determinam aquilo que somos ou se este debate encontra-se totalmente desprovido de fundamento, na medida em que os genes e o meio ambiente são factores independentes.
Após a nossa reflexão conclui-se que não é só suficiente possuir os genes, há que levar em consideração o meio envolvente, pois a natureza humana além de ser influenciada por estes também é influenciada pela nossa alimentação e por aqueles que nos rodeiam.
Todos nós sabemos que a alimentação assume um papel fundamental na activação dos genes, isto é, os mesmos são regulados por substâncias que são provenientes da sua proximidade imediata, nomeadamente as derivadas das glândulas hormonais.
Importa pois contabilizar o impacto do meio nas diferenças de expressão dos genes. Quando nos referimos ao meio incluímos nele tudo aquilo que gira em torno do indivíduo.
Segundo Watson, o cérebro humano modifica-se a si próprio, considerando as experiências acumuladas. Com o desenvolvimento do cérebro e tendo em conta a sistemática construção do conhecimento, somos levados a afirmar que a educação modela o cérebro humano e, consequentemente, o comportamento.
Quando nos referimos a educação não nos estamos a referir àquela que é exclusivamente obtida pela via formal, mas também aquela que nossos é transmitida informalmente pelos nos pais, irmãos, avós ou amigos.
Esta variedade social e emocional condiciona o cérebro das crianças, moldando-o de forma a ajustarem-se aos climas emocionais criados pelas pessoas que mais importantes são para si.
Evidentemente que o ambiente familiar condiciona o funcionamento dos genes, sendo que as crianças que vivem em ambientes hostis tendem, em adultos, a manter esse tipo de comportamentos.
Segundo estudos já divulgados, nas famílias em que ocorre violência doméstica, as crianças que assistem a essas agressões, tendem em idade adulta a ser agressores, excepto se forem reeducados para assumir padrões de comportamento distintos.
Relembramos que o carinho e o amor manifestados pelos pais são muito importante no desenvolvimento psicológico de uma criança.
Se a mesma viver num ambiente familiar sereno, evidentemente que existem muitas mais probabilidades de ser uma criança serena, sendo que o inverso também se verifica.
Daqui se conclui que, o modo como as crianças são educadas condiciona o nível de actuação dos seus genes, dado que os pais, os amigos e demais familiares assumem um papel fundamental no temperamento das mesmas.
Não podemos menosprezar o estudo de Reiss, no qual é ainda referida a importância daquilo que a criança pensa sobre si mesma.
Entramos aqui nos conceitos de auto-estima, dado que o adolescente, quando efectua este tipo de reflexão, é de certa forma condicionado pelas suas vivências enquanto criança, encontrando-se praticamente afastadas as questões de genética, dando-se assim grande ênfase às questões de educação.
Uma vez criada essa noção daquilo que a criança ou o adolescente, pensam sobre si próprios, o seu temperamento é condicionado de uma forma que nada tem a ver com qualquer dado genético, na medida em que as suas experiências de vida conseguiram moldar esses registos, em matéria comportamental.
Em jeito de conclusão, gostaríamos de referir que a educação que é dada às crianças, as suas experiências de vida esculpem-lhes os circuítos neurais.
Lisboa, 13 de Dezembro de 2008
Catarina Jorge
Inês Costa
Nuno Miguel Oliveira
Active e-Learners
O comportamento humano resulta das influências ambientais mas também biológicas. “O que somos hoje é o resultado de nossas predisposições biológicas com a história individual e cultural de cada um.” . A nossa herança genética pode influenciar determinadas características físicas que, por sua vez, geram comportamentos diferentes. As principais descobertas dos geneticistas do comportamento relacionam os genes à regulação de mecanismos fisiológicos que alteram comportamentos, designadamente os vícios a determinadas substâncias, a agressividade, violência, desequilíbrios emocionais…
No que refere à influência biológica de determinados vícios, interessa referir que foi realizado um estudo que visa aferir a predisposição genética para o vício do tabagismo “Personality and the inheritance of smoking behavior: A genetic perspective”. Os dados resultantes de longos estudos realizados na Escandinávia e Austrália permitem concluir que há uma maior influência genética na probabilidade de um indivíduo se tornar fumador (iniciação) e que persiste no hábito de fumar uma vez iniciado o vício.
Neste vídeo é abordada a influência genética social e psicológica nalguns comportamentos realacionados com os vícios.
http://www.youtube.com/watch?v=5tpLbNK7n50
Um outro estudo, “The genetic basis of complex human behaviors” enfatiza a importância dos factores genéticos na explicação de muitos comportamentos humanos complexos, no domínio da psicopatologia, personalidade e capacidade cognitiva. É hoje comummente aceite de que a depressão pode ter origem hereditária. Um outro estudo identificou o dobro da correlação para o comportamento criminoso entre os irmãos gémeos e os não gémeos. Outras pesquisas mostraram que o comportamento criminoso se repete no gémeo monozigótico duas vezes mais que nos gémeos dizigóticos. Contudo, apesar de alguns estudos apontarem alguma influência genética para a criminalidade não é de descurar a influência do contexto familiar.
Sleepless E-Learners
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1www.pet.vet.br/puc/contri.pdf
INATO OU ADQUIRIDO?
Relativamente a esta questão, que desde há muito tem vindo a ser debatida pelos cientistas, importa aqui fazer algumas reflexões que nos parecem importantes.
O caso da linguagem
Temos propensões genéticas para aprendermos facilmente a falar numa idade muito precoce, mas se não tivermos contacto com falantes nós não aprendemos a falar.
O input recebido do ambiente não é suficiente para explicar a aquisição de nenhuma língua. Se pensarmos bem, é extraordinária a forma como alguém consegue atingir um conhecimento linguístico tão complexo com tão pouco input. Se tivermos em conta a teoria chomskiana, o modelo da Gramática Universal parte do princípio que o ser humano é dotado biologicamente de um dispositivo de aquisição de linguagem.
Podemos dar o exemplo das meninas lobo
"(...) duas meninas de uma aldeia bengali ao norte da Índia que, em 1922, foram resgatadas (ou arrancadas) de uma família de lobos que as havia criado em total isolamento de qualquer contacto humano. Uma das meninas tinha oito anos e a outra cinco. A menor morreu pouco tempo depois de ser encontrada, e a outra sobreviveu mais dez anos com outros órfãos com quem foi criada. Quando foram encontradas, as meninas não sabiam andar sobre os pés, mas moviam-se rapidamente em quatro. É claro que não falavam, e seus rostos eram inexpressivos. Queriam comer apenas carne crua, tinham hábitos nocturnos, repeliam o contacto humano e preferiam a companhia de cães e lobos. Ao serem resgatadas, estavam perfeitamente saudáveis e não apresentavam nenhum sintoma de debilidade mental ou subnutrição. Mas a separação da família lupina causou-lhes uma profunda depressão que as levou à beira da morte, sendo que uma, efectivamente, morreu. A menina que sobreviveu dez anos acabou por mudar os seus hábitos alimentares e os seus ciclos de actividade. Aprendeu a caminhar sobre os dois pés, mas em situações de urgência voltava sempre a correr em quatro. Nunca chegou propriamente a falar, embora usasse um punhado de palavras. A família do missionário anglicano que cuidou dela, bem como outras pessoas que a conheceram intimamente, nunca sentiu que fosse verdadeiramente humana”. (MATURANA, H. e VARELA, F. (1995), A árvore do conhecimento, Campinas, SP, Ed. Psy II, ).
De onde vem o talento? Nasce-se com ele, ou adquire-se?
Todos concordamos que há quem tenha mais "jeito" para umas coisas que outros. Muitos tentam desenhar e apenas conseguem fazer uns pequenos rabiscos a outros basta um simples lápis para a criação de uma imagem imensamente agradável à vista. Aprendemos isto? Penso que não. No entanto para quem queira ser verdadeiramente bom, ou para quem anseie atingir a excelência, é necessário treino, esforço e dedicação. O mesmo se passa em muitas das outras artes. Na escrita, na música, etc. Será então escusado o trabalho aos que não têm esse "talento inato?" Ou simplesmente têm de se esforçar bastante mais para conseguir chegar ao nível dos que o têm? Será o talento vindo do esforço, alguma vez igualável ao talento natural?
Instinto e Aprendizagem
Segundo Edgar Morin “A aptidão para aprender está ligada à plasticidade bioquímica do cérebro. Um conhecimento adquirido pode inscrever-se de forma duradoura sob numa propriedade associativa estável entre neurónios. Desde o nascimento do animal, as experiências adquiridas inscrevem-se em circuitos e redes interneuronais".
Hoje já podemos dispor de inúmeras experiências científicas com animais e de um maior conhecimento sobre cérebro/mente. As estruturas da eco-organização estão inscritas hologramaticamente nas possibilidades de conexão neuronal: (...) não foi só a memória hereditária que conservou em si um “conhecimento” do meio, foi também a organização do meio que se inscreveu na organização do aparelho cerebral”.
O homem é condicionado pelo meio, mas não é determinado. O meio desencadeia mudanças, mas será que as determina? Tais mudanças, em última instância, são determinadas pela estrutura do organismo vivo, sendo este quem define que mudanças ocorrerão. Elas serão sempre mudanças congruentes com o ser vivo biológico e com o meio, de contrário haverá desintegração do organismo.
Pensar que instinto e aprendizagem são coisas opostas, ou não relacionadas, é um erro muito comum, a questão geral é inato VS aprendido.É em virtude de termos instintos que somos capazes de aprender. Não somos uma espécie que aprende muito por que temos menos instintos, mas sim por que temos muitos instintos. É evidente que os nossos módulos mentais são abertos e ávidos por informações ambientais. É pela via da aprendizagem que a nossa natureza se revela, é também pela via da natureza que temos as propensões para aprender conteúdos culturais e assim participar do mundo social. Mas isto só é possível porque estamos pré-programados para aprender e isso é inato.
CONCLUSÃO
Os estudos sobre genética comportamental estão apenas no início. Segundo Wilson, o principal ponto fraco da genética comportamental humana é que apenas um pequeno número de genes e regras epistémicas relevantes foram identificados. (Wilson, E.O. (2003). A Unidade do Conhecimento. Consciliência. Editora Campus. São paulo.)
Os geneticistas estimam que, em duas décadas, será possível rastrear regiões genômicas em quantidade suficiente para conseguir mais do que pistas sobre a influência dos genes no comportamento. Graças à associação da psicologia e da genética, está aberto o caminho para elucidar a anatomia da personalidade.
Os nossos módulos mentais foram seleccionados a partir dum ambiente ancestral, ou seja, no ambiente da nossa adaptabilidade evolutiva e não no ambiente moderno e tecnológico actual. Será que alguns comportamentos que eram adaptativos na actualidade estão a ser perversos para nós como por exemplo de comer doces e gordura em excesso?
E-Webers
O comportamento é inato ou adquirido? É a natureza dos genes que determinam o que somos ou são as relações sociais que constroem a nossa identidade?
Argumentando a favor da Educação:
“A favor da Educação e contra o fatalismo genético”
A História do Homem deve-se, em grande medida, às suas concepções. Tomemos dois exemplos:
O filósofo John Locke (1632-1704), considerado o protagonista do empirismo, concebeu a teoria da Tabula rasa. Segundo Locke, todas as pessoas ao nascer o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressões nenhumas, sem conhecimento algum. Então todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro.
Mesmo admitido o desacordo com a teoria da tabula rasa, é um facto que a mesma influenciou a visão filosófica relativamente ao Homem na sociedade, ao considerar todos os Homens como intrinsecamente iguais, modificou o comportamento e a atitude relativamente às classes privilegiadas, contribuindo para a modificação do conceito de sociedade e conduzindo-a a uma sociedade mais equilibrada e justa.
Eugenia é um termo criado por Francis Galton (1822-1911), que a definiu como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. Esta ideia foi bastante controversa, pois foi parte fundamental da ideologia da pureza racial que culminou no Holocausto.
Ambas os exemplos têm algo em comum: - Modificaram o comportamento e a atitude dos homens perante outros homens. Será que a genética por si só tem este potencial?
Um assunto muito debatido tem sido a homossexualidade. Será geneticamente determinada ou não? Se for então não à nada a fazer?
E o alcoolismo? E os dependentes de drogas? Os assassinos? Os pedófilos?
Se um dos gémeos for um assassino ou outro deverá ser encarcerado?
Quem apoia a ideia de que vem escrito nos genes, pode sempre afirmar que: É algo natural e não passível de repreensão ou exclusão. E se considerarmos que devemos actuar, não estaremos à beira de elaborar um mapa genético de quem é digno ou não de estar na sociedade? Será que a natureza condicionou-nos a esse fatalismo?
Não estaremos nós a sacudir as nossas responsabilidades para os genes?
Segundo Vygotsky (1996), baseado na abordagem materialista dialéctica da análise da história humana, acredita que o comportamento humano difere qualitativamente do comportamento animal, na mesma extensão em que diferem a adaptabilidade e o desenvolvimento dos animais. Na sua perspectiva, entretanto, “não se trata de que os fenómenos humanos sejam essencialmente diferentes dos animais, mas de que não se pode aplicar aos animais as categorias e conceitos psicológicos humanos.
Para Vygotsky, o desenvolvimento psicológico do Homem é parte do desenvolvimento histórico geral de nossa espécie e assim deve ser entendido. A aceitação dessa proposição, significa ter de se encontrar uma nova metodologia para a experimentação psicológica. Assim, mesmo admitindo a influência da natureza sobre o Homem, Vygotsky acredita que o indivíduo, por sua vez, numa perspectiva dialéctica, age sobre a natureza e cria, através das mudanças nela provocadas, novas condições naturais para sua sobrevivência.
Segundo António Damásio:
"Assim, à medida que progredimos da infância para a idade adulta, o design dos circuitos cerebrais que representam nosso corpo em evolução e sua interacção com o mundo parece depender tanto das actividades em que o organismo se empenha como da acção de circuitos biorreguladores inatos, à medida que os últimos reagem a tais actividades. Essa abordagem sublinha a inadequação de conceber cérebro, comportamento e mente em termos de natureza versus educação, ou de genes versus experiência. Nossos cérebros e nossas mentes não são tabulae rasae quando nascemos. Contudo, também não são, na sua totalidade, geneticamente determinados. A sombra genética tem um grande alcance mas não é completa. Os genes proporcionam a um dado componente cerebral sua estrutura precisa e a outro componente uma estrutura que está para ser determinada. No entanto, a estrutura a ser determinada só pode ser obtida sob a influência de três elementos: 1)a estrutura exacta; 2) a actividade individual e as circunstâncias (nas quais a palavra final cabe ao meio ambiente humano e físico, assim como ao acaso); e 3)as pressões de auto-organização que emergem da extraordinária complexidade do sistema. O perfil imprevisível das experiências de cada indivíduo tem realmente uma palavra a acrescentar ao design dos circuitos, tanto directa como indirectamente, pela reacção que desencadeia nos circuitos inatos e pelas consequências que tais reacções têm no processo global de modelação de circuitos."
"É esse o erro de Descartes: a separação abissal entre o corpo e a mente, entre a substância corporal, infinitamente divisível, com volume, com dimensões e com um funcionamento mecânico, de um lado, e a substância mental, indivisível, sem volume, sem dimensão e intangível, de outro; a sugestão de que o raciocínio, o juízo moral e o sofrimento adveniente da dor física ou agitação mental poderiam existir independentemente do corpo. Especificamente: a separação das operações mais refinadas da mente, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para o outro."
Neste debate sobre genes versus educação, tem sido sustentado que vários aspectos do comportamento humano são governados por uma interacção entre nossa natureza inata (congénita) e nossa educação ambiental. Se essa síntese parecer melhorar a nossa compreensão de um assunto, ela, então, servirá como uma nova tese, que será seguida por uma nova antítese, depois uma nova síntese, e assim por diante. Essa observação da sucessão dialéctica de ideias foi desenvolvida por Georg Hegel (1770-1831), um filósofo alemão que chegou às suas ideias sintetizando alguns dos pontos de vista de seus predecessores e de contemporâneos intelectuais.
Vemos assim que, numa estrutura, pelo confronto e rearranjo, ocorre a adaptação e a potencialização de efeitos. Isto é, ocorre a evolução que conduz ou permite a sobrevivência, neste caso, de uma ideia. A educação permite a existência deste tipo de sistema flexível, mas a genética evolui muito lentamente (a diferença genética entre o homem e o macaco é praticamente insignificante), por conseguinte, os genes só pode constituir o pilar (estrutura) que nos suporta a todos.
É um facto que existem características inatas num organismo cuja função é a de regular o funcionamento e assegurar a sua sobrevivência, quer a nível do controle das operações bioquímicas, quer a nível dos impulsos e dos instintos. Mas o sistema tem de ser adaptativo, tem de estar concebido de modo a ser flexível e a permitir e acomodar modificações. No entanto, as condicionantes de sobrevivência a que o indivíduo está sujeito são inúmeras e impossíveis de prever o que, por si só, impossibilita um condicionamento comportamental restritivo. O que implica, objectivamente, a necessidade da intervenção de uma componente que suplante a estrita capacidade de sobrevivência básica (inata) e que a amplie e a potencialize. E essa componente é aquilo que podemos designar de Educação. Assim, o indivíduo é modelado, de modo que possa apoiar a sua sobrevivência da maneira mais eficaz possível e, para o Homem (ser racional), a educação é o factor preponderante do seu comportamento social. É isso que distingue o homem dos outros animais.
Avatars do E-learning
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