segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O que é a "cegueira mental"?

Observem o seguinte vídeo e classifique o comportamento social do protagonista:



No nosso entender o comportamento social de Mr. Bean revela diversas anomalias, nomeadamente: - a inadequação da sua postura (esbraceja e ouve música ao volume que muito bem entende sem ter em conta a presença dos demais passageiros); - a dificuldade em sintonizar-se com o outro (se não fosse a assistente de bordo a chamar a atenção para o mal-estar da criança Mr. Bean não se teria apercebido); - a incapacidade de apreender o que parece estar a passar pela mente do outro (graceja com o mau estar físico que uma viagem de avião pode causar, realçando o enjoo da criança); - a dificuldade em inferir coisas que não são ditas (rebenta o saco não percebendo que o mesmo já foi usado pela criança).

O comportamento social de Mr. Bean, é um exemplo, entre outros que iremos abordar, do que Goleman designa por “cegueira mental”, isto é, o oposto da visão mental ou a capacidade de “espreitar para dentro da mente de outra pessoa e sentir-lhe os sentimentos e deduzir-lhe os pensamentos – a capacidade fundamental da acuidade empática.”

3 comentários:

Anónimo disse...

Não deixa de ser curioso como os comportamentos “autistas” de Mr. Bean funcionam para nós enquanto elementos cómicos, ao passo que o contacto directo com a doença é algo capaz de nos transtornar profundamente. Claro está que os comportamentos do Mr. Bean excedem a doença, atingindo um estado de exuberância grotesca que nos faz rir.
Contudo, a necessidade por ele sentida de estabelecer contacto com quem o rodeia acaba por constituir um contrasenso no próprio conceito de autismo ou de Asperger.
Para confrontarmos com a real dimensão da doença e um caso pleno de “cegueira mental” , basta ver o brilhante papel de Dustin Hoffman em Rain Man em 1988.
http://www.youtube.com/watch?v=vqbXPfaN_VM



Sleepless E-Learners

Anónimo disse...

Este vídeo do Mr Bean reflecte um défice significativo na leitura das emoções que resultam em graves deficiências na interacção social, como muito bem foram ilustradas pelo gupo e-Navegantes. Destaca-se claramente a falta de uma visão mental que permita a Mr Bean, por um lado, compreender acuradamente os sentimentos da criança por outro, preocupar-se pelo estado emocional da mesma assim como agir no sentido de ir de encontro às necessidades que a criança evidenciava, ou seja, um revelar comportamento empático. Na nossa opinião, após a hospedeira ter sensibilizado o Mr. Bean para prestar algum apoio e atenção à criança os comportamentos revelados responderam sobretudo à sua necessidade egocêntrica de se divertir uma vez que, inclusive, alguns deles poderiam agudizar o estado de ansiedade e mal-estar manifestado pela criança. Obviamente o comportamento do Mr. Bean reflectiu uma absoluta falta de visão mental, fundamental para se poder obter a acuidade empática que permita ir de encontro ao outro. Mas será que o Bean estava verdadeiramente interessado em interagir socialmente? (uma das características do altruísmo.)

Sleepless E-Learners

Anónimo disse...

O Autismo é um distúrbio do desenvolvimento humano que vem sendo estudado pela ciência há seis décadas, mas sobre o qual ainda permanecem dentro do próprio âmbito da ciência divergências e grandes questões por responder.
Atualmente, embora o Autismo seja bem mais conhecido, tendo inclusive sido tema de vários filmes de sucesso, ele ainda surpreende pela diversidade de características que pode apresentar e pelo fato de na maioria das vezes a criança autista ter uma aparência totalmente normal.
O Autismo é uma síndrome definida por alterações presentes desde idades muito precoces, tipicamente antes dos três anos de idade, e que se caracteriza sempre por desvios qualitativos na comunicação, na interação social e no usa da imaginação.
É comum pais relatarem que a criança passou por um período de normalidade anteriormente à manifestação dos sintomas.
Quando as crianças com autismo crescem, desenvolvem suas habilidades sociais em extensão variada.
Alguns indivíduos permanecem indiferentes, não entendendo muito bem o que se passa na vida social. Eles se comportam como se as outras pessoas não existissem, rejeitam o contato físico, olham através de você como se você não estivesse lá e não reagem a alguém que fale com eles ou os chame pelo nome.
Freqüentemente suas faces mostram muito pouco de suas emoções, exceto se estiverem muito bravos ou agitados. São indiferentes ou têm medo de seus colegas e usam as pessoas como utensílios para obter alguma coisa que queiram.
Outros indivíduos tornam-se extremamente passivos, mas amigáveis se a interação é iniciada por outra pessoa. Permanecem estranhamente distantes e desinteressados no que ocorre ao seu redor,
outros, ainda, são do tipo esquisito, excêntrico, que se aproxima e interagem com as pessoas de forma inadequada, tocando-as, interrompendo-as e agindo de forma dissonante do contexto.
Pessoas com esse distúrbio possuem dificuldades qualitativas na comunicação, interação social, e a imaginação (a chamada tríade), e consequentemente apresentam problemas comportamentais.
Muitas vezes o simples fato de querer ir ao banheiro e não conseguir comunicar a ninguém pode ocasionar problemas como auto-agressão ou agressão aos outros.
Não há dúvida que ainda hoje muito pouco se obteve para avançar nos tratamentos, sendo que a causa específica não foi descoberta ainda.
Avatars do Elearning