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O capítulo 10 do livro "Inteligência Social" de Daniel Goleman, intitulado "Genes não são destino" dedica-se em traços gerais à desmistificação da perspectiva segundo a qual a informação genética contida no nosso ADN determina de forma decisiva o desenvolvimento físico, mental, emocional e social do ser humano.
De facto assim não é. O nosso destino não se encontra sempre acorrentado aos genes, pese embora estes não lhe sejam alheios de forma alguma.
A pergunta é pois pertinente: até que ponto somos determinados pela nossa herança genética no desenvolvimento físico, psicológico e social?
Goleman tentou responder a esta questão, iniciando a sua abordagem com um exemplo laboratorial: o dos "ratos alcoolicos" de John Crabbe, os quais demonstraram laboratorialmente que os factores genéticos não explicam, por si só, o comportamento.
Transferindo a conclusão da experiência de Crabbe para o contexto humano, Goleman refere então aquela que é a ideia basilar do capítulo: a expressão concreta dos Genes faz-se de acordo com vários factores condicionantes, de entre os quais a experiência e as interações com os outros e com o meio são aspectos fundamentais.

No fundo, o ser humano é portador de um conjunto imenso de possibilidades para o seu desenvolvimento, contidas no seu código genético. E a concretização (ou não) das possibilidades de que é portador depende, em larga medida, da forma como se relaciona com o meio.
Leituras aconselhadas:
"Ainda a matemática" - Blog Afixe
"Un gène impliqué dans l'alcoolisme?"
O cérebro humano é extremamente vulnerável - ou moldável - em função das experiências e interacções com que desde criança os seres humanos se deparam, na família, na escola, no grupos de amigos ou até no contacto com desconhecidos. Mais: a própria imagem que o ser humano tem de si mesmo condiciona o desenvolvimento e modelação do cérebro, e por consequência a activação ou inibição da expressão de determinada informação genética, contida no ADN.
O exemplo dos gémeos humanos, pessoas cuja origem se encontra associada à fertilização do mesmo óvulo materno por parte do mesmo espermatozoide paterno, é neste particular muitíssimo evidente: indivíduos portadores de código genético semelhante podem desenvolver-se de formas muito diferentes, apresentando ao longo da vida características distintivas evidentes, cujas semeçhanças físicas não fariam prever.
1 comentário:
O conceito de epigenética encerra em si uma das grandes verdades em torno do mundo "mistico" da genética: o meio também nos condiciona e potencia certas expressões genéticas.
Cabe-nos então a nós conseguir criar meios ideais para a não potenciação de genes "malignos" das pessoas que temos em nosso redor.
Esta perspectiva vem trazer uma pressão incomensuravelmente maior sobre as nossas atitudes do dia a dia.
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